Se você presta serviço intelectual — consultoria, tecnologia, psicologia, engenharia, marketing — e está no Simples Nacional, existe uma boa chance de estar pagando mais imposto do que precisaria. O motivo tem nome: Fator R.
O que é
O Fator R é a relação entre a folha de pagamento dos últimos 12 meses e a receita bruta do mesmo período. Ele funciona como uma chave: dependendo do resultado, sua empresa é tributada pelo Anexo III ou pelo Anexo V do Simples Nacional.
Fórmula: Fator R = (folha dos últimos 12 meses ÷ receita bruta dos últimos 12 meses) × 100
Resultado igual ou maior que 28% → Anexo III. Abaixo disso → Anexo V.
Por que isso importa tanto
A diferença entre os dois anexos é grande, especialmente nas faixas iniciais:
| Anexo | Alíquota inicial | Perfil |
|---|---|---|
| Anexo III | 6,00% | Fator R igual ou superior a 28% |
| Anexo V | 15,50% | Fator R inferior a 28% |
São 9,5 pontos percentuais de diferença. Numa empresa que fatura R$ 20 mil por mês, isso representa cerca de R$ 1.900 a mais de imposto — todo mês.
O que conta como folha
Nem tudo que sai da empresa entra na conta. Entram:
- Salários dos funcionários registrados
- Pró-labore dos sócios
- Contribuição patronal previdenciária (CPP)
- FGTS
- 13º salário e férias com o terço constitucional
Não entram: distribuição de lucros, pagamentos a prestadores pessoa jurídica e vale-transporte.
Um exemplo com números
Uma consultoria faturou R$ 240 mil nos últimos 12 meses e teve R$ 48 mil de folha no mesmo período.
Fator R = (48.000 ÷ 240.000) × 100 = 20%
Como 20% é menor que 28%, essa empresa está no Anexo V, pagando 15,5% na primeira faixa.
Para chegar aos 28%, a folha precisaria ser de R$ 67.200 no período — cerca de R$ 5.600 por mês, um aumento de R$ 1.600 mensais no pró-labore.
Parece custo, mas o imposto economizado ao migrar para o Anexo III costuma superar esse aumento com folga. E o pró-labore ainda gera contribuição previdenciária em nome do sócio, que conta para aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
Três cuidados importantes
- Não é sempre vantajoso. Em faixas mais altas de faturamento a diferença entre os anexos diminui, e a conta precisa ser refeita.
- O pró-labore precisa ser real. Aumentar o valor no papel sem o recolhimento correspondente de INSS é irregularidade, não planejamento.
- O cálculo é móvel. Ele considera os últimos 12 meses e muda todo mês — precisa ser acompanhado, não conferido uma vez por ano.
Resumindo: o Fator R não é um truque, é uma regra prevista na Lei Complementar 123. Aproveitá-la exige planejamento e acompanhamento contínuo.
Quer saber se compensa no seu caso? Informe seu faturamento dos últimos 12 meses e o valor atual de pró-labore e salários que fazemos o cálculo sem custo.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação profissional. Cada empresa tem particularidades — fale com a gente antes de tomar decisões com base neste artigo.